A
mesma vaidade, que nos separa do comércio dos homens, para sepultar-nos
na solidão de um claustro, vem depois a conservar-nos nele, e por um
mesmo princípio nos conduz, e nos faz permanecer sempre no retiro. Fazem
os homens ludíbrio da mudança da vontade, por isso muitas vezes somos
firmes só por evitar o desprezo, vindo a parecer persistência na
vocação, o que só é constância na vaidade. Vivemos temerosos, de que as
nossas ações se reputam como efeitos da nossa variedade: queremos mudar,
mas tememos o parecer vários; e assim a constância na virtude não a
devemos à vontade, mas ao receio; não a conservamos por gosto, mas por
vaidade: e esta assim como nos faz confiantes na virtude, também outras
vezes nos faz confiantes na culpa.
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