Buscamos
a Deus quando o mundo nos não busca; se alguma ofensa nos irrita,
deixamos a sociedade, não por arrependidos, mas por queixosos, e menos
por amor a Deus, que por aborrecer os homens. A vaidade nos inspira
aquele modo de vingança, e parece com efeito, que o deixar o mundo é
desprezá-lo. Assim será; mas quem deseja vingar-se ainda ama, e quem se
mostra ofendido ainda quer. Amamos o mundo, e as suas vaidades; porque o
amor de coisas vãs é em nós quase inseparável. O mundo, e a vida tudo é
o mesmo; e quem há que sem loucura deixe de amar a vida? Tudo no mundo é
vão, por isso a vaidade é a que move os nossos passos: para donde quer
que vamos, a vaidade nos leva, e imos por vaidade. Mudamos de lugar, mas
não mudamos de mundo.
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