O
que chamamos inveja, não é senão vaidade. Continuamente acusamos a
injustiça da fortuna, e a consideramos ainda mais cega do que o amor, na
repartição das felicidades. Desejamos o que os outros possuem, porque
nos parece, que tudo o que os outros têm, nós o merecíamos melhor; por
isso olhamos com desgosto para as coisas alheias, por nos parecer, que
deviam ser nossas: que é isto senão vaidade? Não podemos ver luzimento
em outrem, porque imaginamos, que só em nós é próprio: cuidamos, que a
grandeza só em nós fica sendo natural, e nos mais violenta: o esplendor
alheio passa no nosso conceito por desordem do acaso, e por miséria do
tempo. Quem diria aos homens, que no mundo há outra coisa mais do que
fortuna, e que nas honras há predestinação?
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