Nas
paixões é natural o entreter-nos cada uma com a esperança, que lhe é
própria; e com feito nada é mais agradável do que uma esperança
lisonjeira. O desejo se deleita em meditar no bem, que espera; e a
natureza, a quem as paixões têm sempre em ação, não cessa de guiar o
pensamento para aquela mesma parte, para donde a nossa inclinação
propende; por isso o amor contìnuamente nos promete, que há de acabar a
tirania, e que cedo há de vir a feliz correspondência; o ódio nos
segura, que vem chegando o dia da vigança; e finalmente a vaidade só nos
oferece idéias de respeito, e de grandeza; e desta sorte não vivemos,
esperamos a vida.
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