Vemos
confusamente as aparências de que o mundo se compõe: os nossos
discursos raramente encontram com a verdade, com a dúvida sempre; de
sorte que a ciência humana toda consiste em dúvida. Ainda dos primeiros
princípios visíveis, e materiais, só conhecemos a existência, a natureza
não; porque a contextura do universo é em si unida, e regular em forma,
que na ordem das suas partes não se podem conhecer umas, sem se
conhecerem todas; por isso todas se ignoram, porque nenhuma se conhece:
só a vaidade costuma decidir sem embaraço, porque não chega a
imaginar-se capaz de erro: os homens mais obstinados são os mais
vaidosos, e sempre a porfia vem à proporção da vaidade.
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