A
vaidade por ser causa de alguns males, não deixa de ser princípio
de alguns bens: das virtudes meramente humanas, poucas se haviam de
achar nos homens, se nos homens não houvesse vaidade: não só seriam
raras as ações de valor, de generosidade, e de constância, mas ainda
estes termos, ou palavras seriam como bárbaras, e ignoradas totalmente.
Digamos, que a vaidade as inventou. O ser inflexível é ser constante; o
desprezar a vida é ter valor: são virtudes, que a natureza desaprova, e
que a vaidade canoniza. A aleivosia, a ingratidão, a deslealdade, são
vícios notados de vileza, por isso deles nos defende a vaidade; porque
esta abomina tudo quanto é vil. Assim se vê, que há vícios, de que a
vaidade nos preserva, e que há virtudes, que a mesma vaidade nos ensina.
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