A
razão não nos fortalece contra os males, que resultam da vaidade, antes
nos expõe a toda a atividade deles; porque induzida pela mesma vaidade
só nos mostra que devemos sentir, sem discorrer sobre a qualidade do
sentimento. No princípio dos nossos desgostos, a razão não serve para
diminuí-los, para exasperá-los sim; porque como em nós tudo é vaidade,
também a nossa razão não é outra coisa mais do que a nossa mesma
vaidade. Sente a razão o que a vaidade sente, e quando vimos a sentir
menos, é por cansados, e não por advertidos. Daqui vem, que as mais das
vezes devemos os nossos acertos menos à vontade, do que à nossa
fraqueza; devemos a nossa moderação menos ao discurso, do que à nossa
própria debilidade. Deixamos o sentimento por cansados de padecer. A
duração do mal, que nos abate, nos cura.
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