A
vaidade diminui em nós algumas penas; porém aumenta aquelas, que nascem
da mesma vaidade: a estas nem o esquecimento cura, nem o tempo; porque
tudo o que ofende a vaidade, fica sendo inseparável da nossa memória, e
da nossa dor. Entre os males da natureza, alguns há que têm remédio;
porém os que têm a vaidade por origem, são incuráveis quase todos: e
verdadeiramente como há-de acabar a pena, quando a lembrança da ofensa
basta para fazer, que dure em nós a aflição? Ou como pode cessar a
mágoa, se não cessa a vaidade, que a produz? Alguns sentimentos há, que
se incorporam, e unem de tal forma a nós, que vêm a ficar sendo uma
parte de nós mesmos.
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