Com
os anos não diminui em nós a vaidade, e se muda, é só de espécie. A
cada passo, que damos no discurso da vida, se nos oferece um teatro
novo, composto de representações diversas, as quais sucessivamente vão
sendo objetos da nossa atenção, e da nossa vaidade. Assim como nos
lugares, há também horizonte na idade, e continuamente imos deixando
uns, e entrando em outros, e em todos eles a mesma vaidade, que nos
cega, nos guia. Nem sempre fomos suscetíveis das mesmas impressões; nem
sempre somos sensíveis ao mesmo sentimento; sempre fomos vaidosos, mas
nem sempre domina em nós o mesmo gênero de vaidade.
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